Série “Craques Eternos” – NIGINHO

No dia 12 de fevereiro último, completou-se o centenário do nascimento de Leonídio Fantoni, o Niginho. Abriremos a nossa série Craques Eternos, então,  em homenagem a esse italiano, o mais cruzeirense de todos os tempos!

Nome: Leonídio Fantoni, conhecido como Niginho no Brasil e Fantoni III na Itália.

Gols pelo Cruzeiro: 209 gols em 263 jogos.

Nascimento: 12/02/1912, em Belo Horizonte (MG)
Morte: 05/09/1975, em Belo Horizonte (MG)
Posição: Atacante
Jogou pelo Cruzeiro: 15 anos (1929-1932/ 1935-3197/ 1939-1947)
Títulos pelo clube: Campeonato da Cidade (antigo “Campeonato Mineiro”,  em 1930, 1940, 1943, 1944 e 1945)
Outros clubes pelo qual atuou: Atlético-MG, Palmeiras, Vasco e Lazio (ITA).

Niginho foi um dos raros jogadores da história do futebol brasileiro que levou sua paixão pelo clube de coração para dentro dos gramados. Nascido no bairro Floresta, o craque vem de uma família tradicionalíssima e cruzeirense em todos os sentidos, tanto nas arquibancadas quantos dentro das quatro linhas. Ele, os irmãos João Fantoni (Ninão) e Orlando Fantoni; o primo Otávio Fantoni (Nininho) e os sobrinhos Benito e Fernando Fantoni atuaram todos pela Raposa; excetuando os sobrinhos, todos atuaram na época em que o clube era Palestra Itália e jogaram pela Lazio como em uma dinastia: Ninão foi Fantoni I, Nininho foi Fantoni II, ele foi Fantoni III e Orlando, Fantoni IV. Fernando Fantoni também passaria pela equipe romana, como Fantoni V. Juntos, os irmãos Fantoni marcaram 470 gols pelo Palestra Itália. Somando-se os seis tentos do lateral-esquerdo Nininho, primo dos três, com outro zagueiro Benito – filho de Ninão, que atuou nos anos 60 – o total da famíla sobe para 477. Isso é o que poderíamos dizer fazer parte da história de um clube.

Com quatorze anos, já atuava nas categorias de base do Palestra. “Niginho” não foi apenas seu único apelido. Ficou também conhecido como “Carrasco dos Clássicos”: o atacante é nada mais, nada menos que o maior artilheiro em clássicos contra o Atlético e contra o América da história da Raposa. Contra o rival alvinegro marcou 25 vezes e contra o Coelho marcou 48 vezes. Foi também três vezes artilheiro do campeonato estadual: em 1931, 1940 e 1945, com 15, 11 e 14 gols, respectivamente. Outro apelido seu era “Tanque”, fruto de sua especialidade, romper as defesas adversárias aproveitando-se de sua alta estatura e força física. “Menino Metralha” foi outra alcunha, a primeira: chutava tanto a gol quando chegou ao time principal, aos 19 anos, que logo passou a ser chamado dessa forma.

Em sua primeira passagem pelo Palestra, ganhou um tricampeonato mineiro, em 1928, 1929 e 1930.

Graças a fama o atacante foi contratado à Lazio e fez história no futebol italiano. Niginho chegou a marcar, em um mesmo jogo, quatro gols contra o grande rival Milan. Alistado para servir ao exército italiano, fugiu para o Brasil e jogou pelo Palmeiras. Foi uma passagem rápida, porém marcante. De acordo com o Almanaque do Palmeiras, de Celso Unzelte e Mário Sérgio Venditti, fez seis jogos pelo time paulista com a marca incrível de seis gols marcados. Conquistou cinco vitórias e empatou uma partida, um aproveitamento de quase 100%.  Jogou as seis partidas finais da decisão do campeonato paulista, marcando seis vezes e sendo campeão.Depois, foi jogar no Rio de Janeiro, contratado pelo Vasco da Gama. O mineiro também atuou pela Seleção Brasileira através da equipe cruzmaltina,convocado pelo técnico Ademar Pimenta para as disputas do Campeonato Sul-Americano de 1937. Participou da estreia, contra o Peru, marcando na vitória brasileira por 3 x 1.

Segundo o livro “Seleção Brasileira – 90 Anos”, de Roberto Assaf e Antonio Carlos Napoleão, defendeu o Brasil em quatro jogos entre 1936 e 1937 com três vitórias, uma derrota e dois gols marcados. Pimenta levou-o também à Copa do Mundo de 1938. Ali, seria o reserva de Leônidas da Silva. E, mesmo quando Leônidas não jogou, na semifinal contra a Itália, Niginho não entrou em campo. Sabendo de sua presença na delegação brasileira, os italianos, embora não tivessem feito um protesto formal, informaram a FIFA de que a situação do atacante era irregular, pois para jogar o torneio ele dependia de uma autorização da Lazio, e de que ele era um desertor do exército italiano.

Em razão disso, Leônidas, que se machucou no empate em 1 x 1 contra a Tchecoslováquia, teve de jogar no sacrifício no jogo-desempate. O Brasil venceu por 2 x 1, mas sua lesão agravou-se e o Diamante ficou sem condições de enfrentar os italianos.

Em 1939, ele voltou ao Palestra mineiro, que se renomeou Cruzeiro em 1942. Foi novamente tricampeão estadual, em 1943, 1944 e 1945. Encerrou a carreira em 1946, atuando ao lado do irmão Orlando – que no ano seguinte iria para a Lazio. Niginho deixou os gramados com 207 gols em 257 partidas pelo Palestra/Cruzeiro, firmando-se como o maior ídolo do clube na era pré-Mineirão.É também o terceiro maior artilheiro da história do time, pelo qual seria novamente tricampeão estadual em 1959, 1960 e 1961, como treinador.

A aposentadoria veio atuando pelo time do coração. Depois se tornou técnico e foi campeão no rival, em 1956, e com o Cruzeiro, em 1959, 1960 e 1961. Niginho manteve-se trabalhando no clube social do Cruzeiro até sua morte, em 1975, ocasionada por um mal súbito quando estava a caminho da Toca da Raposa para rever os amigos após afastar-se em virtude de recuperação de uma cirurgia.

Terceiro maior artilheiro da história do clube, Niginho fez parte dos primeiros grandes times palestrinos, atuando junto com grandes figuras como Braguinha, Bengala, Lazzarrotti, Ismael, Alcides (ponta esquerdo histórico), além dos seus irmãos Ninão (também um dos maiores artilheiros do clube) e Orlando, que tinha uma cabeçada famosa, conhecida por ser tão forte quanto um chute.

Este vídeo, feito pelo colunista João Máximo para o canal ESPN, conta um pouco da história do nosso Cruzeiro/Palestra e do grande Niginho.  Muito interessante e vale a pena assistir.

Saudações, ou como diria nosso Niginho, SALUTI!

Fontes:

  • Wikipedia, a Enciclopédia Livre;
  • ESPN.com;
  • arquivo pessoal;
  • GuerreirodosGramados.com.br


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